Resenha: “O Credo de Jesus”

Uma obra premiada como a melhor do ano na categoria de vida cristã, best-seller em vários países, escrita por um teólogo altamente respeitado, até pela mídia secular, corre risco de passar despercebida ao leitor comum. O porquê disso e porque você não pode deixar de ler este livro, saiba lendo a resenha a seguir, escrita por Philippe Leandro: “Se você entrasse apressado em uma livraria, provavelmente não compraria o novo lançamento da Editora Evangélica Esperança: “O Credo de Jesus – crescimento espiritual, amor a Deus e ao próximo”, de Scot Mc Knight”.

“O excesso de informação da capa – a sombra de uma cruz sobre tábuas da Lei, sobrepostas ao monte Sinai, encimadas por uma pomba; o título incomum no limitado jargão evangélico (“Credo”?) e o desconhecimento do autor (“Scot quem”?), levariam ao volume seguinte na estante. O que seria uma pena, pois uns poucos minutos de atenção lhe estimulariam a adquirir o livro.

Na orelha da terceira capa, ao ver a fotografia do autor, quem assiste à CNN ou Fox News, lê Time ou Newsweek, ou tem acesso ao New York Times ou USA Today, reconhecerá o rosto simpático, bonachão, de calva pronunciada, de Scot McKnight. PhD em Teologia pela Universidade de Nottingham, consultor também dos estúdios de Hollywood, Scot – ele não se importa em ser tratado pelo prenome, é uma autoridade amplamente reconhecida em vários assuntos: Novo Testamento, Evangelhos, o Jesus histórico, Cristianismo primitivo, e uma das vozes mais ouvidas sobre “Igreja emergente”.

O bem humorado teólogo anabatista, frequentador da Willow Creek, escocês de nascimento, é atualmente o “Karl A. Olsson Professor” de Estudos Religiosos da Universidade North Park, em Chicago. Anteriormente foi por onze anos professor na prestigiosa faculdade de teologia Trinity Evangelical Divinity School, de onde saiu para a North Park, motivado pelo desafio de falar de religião para classes formadas em sua maioria por jovens não cristãos.

Autor de mais de trinta publicações, Mc Knight recebeu pelo ”Credo de Jesus” o prêmio de melhor livro do ano na categoria de vida cristã da Christianity Today. A obra já recebeu novas edições em Inglês e tornou-se um best-seller, traduzida também em outras línguas, entre elas, Chinês, Russo e Coreano, trazendo a McKnight o reconhecimento público, antes restrito ao ambiente teológico.

Folheando as páginas, logo se descobre porque Scot é tão solicitado e aplaudido. Ele possui uma virtude rara entre eruditos: aliar profundidade com simplicidade, acrescidas de um viés bem- humorado. Sem abrir mão de sua sólida formação, transmite, em linguagem informal, os conhecimentos extraídos de diversas fontes: judaicas, católico-romanas, ortodoxas, evangélicas, desde antigas, como Tertuliano, Gregório de Nissa e outros Pais da Igreja, até modernas, como C. S. Lewis, John Stott, Michel Green e Rick Warren. Examina o significado de palavras no Grego e Hebraico tornando-as vívidas e esclarecedoras – até colocou um dicionário de termos mais importantes após os agradecimentos. Usa diversas histórias – de sua própria experiência, da tradição judaica, de personagens famosos e de alguns relativamente anônimos, para esclarecer suas reflexões teológicas.

Tudo em boa medida, sem excessos que seriam indigestos ao paladar dos leitores a quem ele visou atingir, o público não acadêmico.

O Credo de Jesus lida com a formação espiritual. Ao invés de se basear nos clássicos, como Agostinho, Kempis, ou nos modernos, como Merton ou Foster, McKnight, vai à fonte de todos eles – o próprio Senhor Jesus.

A partir da resposta que Jesus deu ao mestre da Lei que Lhe perguntou o que era o mais importante, demonstra como “formação espiritual consiste em relacionamento – com Deus e com os outros”. Demonstra também a coragem (chutzpah) que Jesus teve em complementar o Credo Judaico, o Shemá (Deuteronômio 6.4-9) com Levítico 19.18 e como essa interpretação revolucionária do imexível Shemá transtornou toda compreensão espiritual desde aquela época.

Assim como aquele escriba, à medida que se avança na leitura, vai se percebendo a necessidade de reorganizar a viagem e bagagem espirituais, que “tudo o que eu vier a fazer ao longo do dia deve basear-se em amar a Deus e ao próximo”. Scot nos mostra os desdobramentos do Credo de Jesus – como são igualmente ousadas e profundas as mudanças que Ele fez na Kadish, oração judaica tradicional, transformando-a na oração do Senhor (O Pai Nosso).

Explica como a vida de Jesus e Suas parábolas refletem o Seu Credo e como foram transmudadas as vidas dos que foram tocados, dos colocaram em prática aquele ensino – entre eles: Pedro, em sua progressiva conversão, compreensão de Jesus e intrepidez em anunciar a fé; João, de “senhor Trovão” em “apóstolo do amor”; e as mulheres – a viúva de Naim e a prostituta que ungiu os pés de Jesus, na casa de Simão, o fariseu, alcançadas pelo ciclo de compaixão que deriva dos valores implícitos no Credo de Jesus.

A seguir, McKnight passa do nível pessoal ao coletivo, pois pessoas espiritualmente formadas são comprometidas com os valores do Credo de Jesus, os valores do Reino: “transformação, atitudes baseadas no grão de mostarda, justiça, restauração, alegria e perspectiva eterna”, constituindo uma sociedade, a Igreja, onde os anseios são satisfeitos em Jesus.

Retornando ao indivíduo, Scot, conecta amar a Cristo a participar de Sua vida e apropriar-se dos mistérios do Seu batismo, tentação, transfiguração, morte e ressurreição. Todos eles, acontecimentos que são expressões do Credo pelo qual Jesus perfeitamente viveu.

Ao levar o leitor a acompanhar Jesus no Jordão, no deserto, no monte, na última ceia, na cruz e no sepulcro, percebe-se a compaixão de McKnight e seu desejo de que se descubra a resposta do Senhor “à pergunta referente à essência do crescimento espiritual”. Os trinta capítulos são recheados de boas citações de teólogos, filósofos, historiadores, poetas, e de frases dignas de reflexão, bem cunhadas pelo bom comunicador que Mc Knight é. Dois exemplos: “… as tentações de Jesus encaixam-se em um padrão divino: a vocação que provém de Deus é testada por Deus” e “Quando participamos da vida de Jesus, declaramos a morte dele como nossa morte e como o fim de todas as mortes”.

No início de cada capítulo há uma sugestão de leitura dos Evangelhos, provável motivo pelo qual o livro foi tão usado como devocional que gerou outra obra com esse fim específico: “40 Dias Vivendo o Credo de Jesus”, igualmente best-seller, a qual, em breve também será traduzida para o Português. A Editora Esperança escolheu um papel de tom marfim, de boa gramatura, tornando agradável a leitura das 309 páginas. A aplicação comedida do verniz UV na capa embeleza a obra. Uma palavra de solidariedade aos editores curitibanos: a capa original em Inglês é de uma pobreza franciscana, bem inferior à brasileira e realmente não há título mais adequado e fiel ao original que “O Credo de Jesus”. É livro para ler e reler, e no meu caso, sublinhar e grifar.” (Por Philippe Leandro)

Fonte: Redação Revista Soma

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Categorias: Diversos

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