Falando sobre a Encarnação da Missão

Em João 17.18 ao falar com o Pai a respeito de seus discípulos, Jesus diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”. No entanto, após a ressurreição, Cristo torna esta conversa com o Pai numa ordem aos seus discípulos: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” – João 20.21.

As frases “assim como tu me enviaste” e, “assim como o pai me enviou” apresentam uma dimensão mais profunda no envio dos discípulos de Cristo ao mundo, pois a missão não encontra sua origem primaria na tarefa de salvar almas, mas sim na pessoa de Cristo, sua encarnação, seu caráter e sua obediência ao Pai.

Nossa missão é compreendida a partir da natureza da Trindade onde Pai, Filho e Espírito Santo entram no mundo por meio de Cristo, encarnando a missão.

Em João 1.14 encontramos a seguinte declaração: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”

Ao se fazer carne, o poder criativo e incontido, a luz que traz salvação à história (Cristo), limita-se a uma geografia, cultura e espaço para estabelecer uma relação permanente e eterna de identidade, pertencimento e igualdade com humanidade. Conhecer, conviver, compartilhar e comprometer-se  fazem parte da encarnação da missão.

Partindo de João 20.21fomos enviados como discípulos de Jesus a “viver a missão” e não “fazer a missão”. Não se trata de uma tarefa a ser cumprida ou de uma agenda a ser seguida rigorosamente em seus compromissos e horários. Trata-se da vida, de encarnar no sorriso, no olhar, nas ações e reações, gestos, olhares e intenções a vida de Cristo. E esta vida de Cristo não é algo transcendente e sim algo humano e real, a final “o verbo se fez carne e habitou entre nós”.

Desta forma, falar da encarnação da missão é falar da vida diária da história. Tem a ver com os movimentos da alma humana e com as dores do outro. Tem a ver com o exercício da constância, da liberdade e da confiança nas relações pessoais em uma geração submersa na incerteza e no medo de permanecer e terminar a vida só. Falar da encarnação da missão é falar de acolhimento, misericórdia e compaixão. Tem a ver com a verdade (Cristo) que abre os horizontes para a exuberância da vida e não com mensagens de culpa e acusação da vida rasteira e medíocre.

Falar da encarnação da missão é falar da presença de Cristo na humanidade por meio de seus discípulos. É perceber que seu olhar não é de cima para baixo, não é opressor nem soberbo, antes, é um olhar de baixo para cima, como o olhar do escravo que lava os pés dos convidados para a ceia (João 13).

Falar de encarnar a missão, é falar de uma vida que nas fragilidades e limitações manifesta e resplandece a “glória do unigênito do Pai”.

Isso é falar sobre a Encarnação da Missão.

Thiago Thomé

Thiago é pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana do Planalto, Brasília – DF

Casado com Claudia, é pai de Laura Helena.

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Categorias: Coluna Semanal

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