Missões e Obediência

Talvez o maior desafio de levar esperança aos povos que nunca ouviram do evangelho não esteja nas barreiras culturais a serem transpostas, na dificuldade de se aprender uma nova língua ou no grande espaço geográfico a ser transposto, mas na distância que os perdidos estão de nossos corações.

Recentemente li a declaração de filosofia ministerial de um recém consagrado pastor, de consagrada denominação brasileira, treinado em consagrado seminário teológico. Estupefato não pelo que vira, mas pelo que não pude encontrar naquelas linhas, li e reli, preferindo duvidar de minha percepção do que da consagração de quem escrevera.

O tal documento que, promete o autor, pautará seu ministério, não menciona, nem nas entrelinhas, os perdidos, ou qualquer outro tipo de necessitado e o compromisso de que o glória de Deus tem de ser manifesta a todas as nações. A ausência implica em que tais assuntos sejam considerados como pormenores, questões quase que extra ministeriais e não um dos principais motivos de ser do ministro.

O autor é um ótimo rapaz, de excelente família, sério e que deseja acertar,  porém fruto de um “evangelho” egoísta, que cuida de si, que discipula os da igreja somente, que cuida dos da congregação somente, que se compromete com a “santidade” desde que ela não tenha desdobramentos práticos que nos faça sujar as mãos com os aflitos, que diz seguir fielmente a Palavra de Deus, menos as centenas de passagens que ordenam que cuidemos dos carentes e dos que nunca tiveram a chance de crer. Um “evangelho” que confortavelmente aguarda que os necessitados, de que tipo forem, passem pelas portas do arraial para serem, então, cuidados por uma equipe fantástica. O problema é que eles não entrarão e a solução é, como sempre, a simples e humilde obediência a Deus – “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

Jesus também teve uma declaração de filosofia ministerial e, semelhante ao jovem pastor, tornou-a pública logo que pode:

“Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriram as escrituras.”

Não haveriam povos não alcançados e nem o porquê desta coluna se fôssemos verdadeiros discípulos (seguidores) de Jesus, simplesmente obedecendo as ordens do Pai, no poder do Seu Espírito – “… mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, quanto em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8)

Márcio Garcia é fundador e pioneiro da MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores), começou o ministério na vila de Pedrinhas, na Ilha Comprida, extremo sul do estado de São Paulo. Atualmente mora no Seminário Bíblico Palavra da Vida, onde ministra aos alunos, além do trabalho na MEAP e outras organizações missionárias.

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Categorias: Coluna Semanal

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