O voluntariado é uma escola de consciências

por Jorge Guimarães

O tema do voluntariado nunca esteve tão em evidência como nos dias atuais. A crescente busca por uma identificação com valores de responsabilidade social revela faces de um segmento que já tem codinome, assim denominado “terceiro setor”. De um lado empresas oportunistas que utilizam o termo na busca de promoção pessoal. Na outra ponta organizações e grupos que encontraram uma nova visão que se caracteriza pelo compromisso social com pessoas e sua cidadania. As intenções têm revelado de maneira clara a qual grupo cada um pertence. Assim, os membros participativos deste movimento têm a chance de servirem em projetos que realmente possam lhes trazer realização.

O trabalho voluntário é tão importante que tem legislação própria definido pela Lei 9.608/1998 como a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social. Contudo, naquele tempo a grande maioria dos voluntários eram pessoas bem intencionadas e muitas vezes mal preparadas que encontravam no sentido livre da ação uma forma de envolvimento superficial. Mais do que uma ação assistencialista, o trabalho voluntario é reconhecido como uma forma de desenvolvimento humano para aqueles que a praticam. O revolucionário Che Guevara definiu de maneira singular a questão: “o voluntariado é uma escola de consciências”. Neste sentido compreende-se que este espaço é voltado para pessoas comprometidas e que estejam dispostas a se preparar para servir cada vez melhor. Por isso mesmo são os profissionais quem mais podem contribuir para esta “consciência”. Quanto mais preparado for à pessoa, mais valores pode agregar a causa. Para Fábio Ribas, Doutor em psicologia social pela PUC de São Paulo: “Para trazer algo realmente novo, o voluntariado cidadão precisa articular a assistência indispensável à busca da cidadania emancipatória”.

O campo missionário é o espaço onde esse conceito pode e deve ser empregado no máximo de sua potencialidade. A essência do “ide” é a obediência irrestrita, aliada a uma atitude voluntariosa. Arão foi um personagem decisivo na libertação do povo judeu do Egito. Mesmo estando à sombra do grande Moisés teve um papel fundamental sendo a voz do líder e por assim dizer, a voz do próprio Deus (Êxodo 7:1-2). O trabalho de suporte prestado por este homem exemplifica bem a importância de segurar as cordas para aqueles que estão na linha de frente.

Quando os crentes dentro das igrejas descobrem que seu envolvimento direto é o complemento que falta para o êxito da missão, ela chega mais longe. O grande desafio das agências que têm seu “DNA” na força do voluntariado é despertar a igreja para esta realidade. À medida que agências e organizações avançam em seu trabalho de campo, mais oportunidades de serviço surgem para os voluntários.

A Rede SOS Global é uma organização que atua em situações de catástrofes naturais e tem sido uma referência para agências missionárias, tanto como para autoridades do poder público. A rede conta com voluntários da área da saúde, mas, também abre espaço para a atuação daqueles que querem trabalhar como equipe de apoio nos locais atingidos. O nível de envolvimento de seus voluntários tem trazido uma contribuição significativa nos locais atingidos por desastres. A rede busca alcance global seja atuando no sudeste da Ásia, no chifre da África ou no Brasil, onde pode contribuir de maneira decisiva na tragédia da região serrana do Rio de Janeiro. Os voluntários recebem treinamento realizado por profissionais da defesa civil e corpo de bombeiros e ainda passam por entrevistas onde são avaliados para então se integrarem as equipes.

A Missão Evangélica Base, com sede no Rio de Janeiro, se diferencia de outras agências por abrir seu leque de opções no voluntariado. Como a razão de ser da Base é o apoio a outras agências e organizações, ela pode comportar todos os tipos de profissionais e voluntários. A agência que completou 5 anos de fundação em novembro conta com mais de 300 profissionais cadastrados em seu banco de dados. A Missão além de enviar voluntários para atuar nas bases de campo das agências parceiras, conta com grupos de profissionais que prestam suporte em seu próprio local de trabalho. São consultórios médicos que abrem suas portas para receber missionários, artistas que doam suas obras para financiar projetos, produtores de vídeo, dentre muitos outros. Com esta visão a Base tenta não apenas levar os voluntários ao campo, mas, provar que verdadeiramente o campo é aqui.

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Categorias: Diversos, Voluntários

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